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Mosteiro de Jesus de Aveiro - Antifonários

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Mosteiro de Jesus de Aveiro - Antifonários

Detalhes do registo

Nível de descrição

Coleção   Coleção

Código de referência

PT/MAVR/MJ-ANTF

Entidade detentora

Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Entidade detentoraMunicípio de Aveiro MAVR Entidade dententora

Tipo de título

Atribuído

Título

Mosteiro de Jesus de Aveiro - Antifonários

Datas de produção

1476  a  1781 

Dimensão e suporte

4 doc., 39 liv.; Perg.

Extensões

39 Livros
4 Documentos

Entidade detentora

Município de Aveiro

História administrativa/biográfica/familiar

O Mosteiro de Jesus de Aveiro é dos mais antigos da cidade, remontando as suas origens à segunda metade do século XV.A 24 de novembro de 1458, D. Beatriz Leitão (Brites Leitoa), jovem de condição nobre e senhora de Ouca (Vagos), instala-se numa casa que possuía junto ao convento dominicano de Nossa Senhora da Misericórdia (masculino), fazendo-se acompanhar de uma das filhas, após ter enviuvado de D. Diogo de Ataíde, numa atitude de desprendimento, quer social, quer material, tão ao jeito da época: vivia-se, então, um período de certa forma “conturbado” de renovação da vida religiosa que pugnava por um certo regresso à pureza original do Evangelho, procurando uma vida austera, desprovida de luxos, afastada dos círculos do poder ("fuga mundi"), renovação essa que colheu muitos partidários junto da nobreza, nomeadamente a cortesã. Menos de três anos passados sobre aquele primeiro ato fundador, a 16 de maio de 1461, o Papa Pio II emite a bula que autoriza a criação de um convento da Ordem de São Domingos ou dos Pregadores (observante, i. é, reformado), o segundo, feminino, em Portugal; isto depois de frei João de Guimarães, prior do vizinho convento de Nossa Senhora da Misericórdia, ter alegado que assim se evitaria que estas mulheres tivessem que se deslocar ao convento (masculino) para participar nos atos litúrgicos e realizar as suas orações, e defendido que seria benéfico que ali se fundasse um mosteiro, feminino, de clausura. Em 1462 é o rei, D. Afonso V, que coloca a primeira pedra na construção da igreja do mosteiro que ganha o nome de Jesus. A vida de clausura tem início oficial a 1 de janeiro de 1465, logo após a morte de D. Mécia, considerada a primeira professa do convento, em outubro do ano anterior.A comunidade cresceu muito rapidamente, tendo aumentado também a necessidade de organizar todos os aspetos da vida da mesma; para os tempos de oração começam a ser executados, no "scriptorium" do próprio convento, um conjunto de antifonários, em pergaminho ou papel, trabalho para o qual as monjas contaram com a orientação dos seus vizinhos do Mosteiro de Santa Maria da Misericórdia (atual Sé), onde terão aprendido a escrever e a iluminar. Terão sido as filhas de Beatriz Leitão as duas primeiras copistas e iluminadoras: Catarina e Maria de Ataíde tiveram, depois, a incumbência de formar outras religiosas. Sabe-se, no entanto, que Catarina faleceu bastante nova (com 18 anos, apenas); os estudos mais recentes apontam para uma produção que terá atingido o seu auge nos anos oitenta e noventa deste século XV; da obra então produzida, há um conjunto substancial cuja identificação ou atribuição é clara, dividindo-se entre as mãos de Maria de Ataíde e as de Isabel Luís, sendo um deles (PT/MAVR/MJ/ANTF/00026) da autoria destas duas monjas.Não será demais recordar que esta necessidade de constituir, para o Mosteiro, uma biblioteca que apoiasse a vida espiritual da comunidade decorria, desde logo, da centralidade que a celebração do Ofício Divino tinha nesse importante vetor da dinâmica conventual; centralidade essa que derivava, também, do rigor com que, no Mosteiro de Jesus, se viviam os preceitos da Reforma da Observância. Terá sido, aliás, o profundo compromisso com os valores dessa reforma que levou a que “[…] já no início do século XVI, se iniciasse, a partir de Aveiro, a reforma e a fundação de novas comunidades observantes femininas por todo o país.” (CARDOSO, Paula Freire – Iluminar no feminino: o "scriptorium" do Mosteiro de Jesus de Aveiro no final do século XV. INVENIRE - Revista de Bens Culturais da Igreja. Moscavide. ISSN 1647-8487. Número especial (2015). pp. 56-63).Este scriptorium ter-se-á mantido em funcionamento pelo menos até ao século XVIII, sendo que 16 dos 40 volumes desta coleção é datada da segunda metade do século XV.“O Antifonário é um livro de cânticos religiosos que contém […] partes da missa e dos ofícios cantados. Existem três tipos de antifonários. O Antifonário Temporal, que reúne os cânticos respeitantes ao tempo litúrgico cristão, o Antifonário Santoral, que contém os cânticos destinados à celebração das festas dos santos e o Comum dos Santos, que congrega os cânticos para os dias dos santos não contemplados nos dois anteriores. O Passional é um texto litúrgico que se lê ou canta, destinado a celebrar a Paixão de Cristo durante as cerimónias religiosas da Semana Santa. Já o Responsório (do latim "responsum", ou resposta) é um conjunto de responsos, ou cânticos, que seguem cada uma das leituras matinais. Finalmente, o Processionário é um livro litúrgico que contém os cantos próprios dos ritos processionais.” (COSTA, Madalena Cardoso da – Antifonários. In: GONÇALVES, Zulmira Cândida (coord.). Manuscritos do Museu de Aveiro: dos sécs. XV/XVI aos sécs. XIX/XX. Aveiro. Direção Regional de Cultura do Centro - Museu de Aveiro. 2014. pp. 56-63).

História custodial e arquivística

Tendo, grande parte dos volumes desta coleção, sido produzida no "scriptorium" do Mosteiro de Jesus, mandados executar ou adquiridos para a sua biblioteca, poderemos afirmar que aí se mantiveram até à extinção das ordens religiosas e o fim da vida em clausura, tendo passado, depois, para a posse do Museu de Aveiro, quando foi criado nas instalações do antigo Mosteiro (em 1911/12).

Âmbito e conteúdo

Coleção de livros com letras e músicas de antífonas e de outros textos litúrgicos.

Sistema de organização

Coleção organizada tematicamente pela entidade produtora.Ordenação sequenciada pela ordem numérica da cota original da coleção.

Condições de reprodução

Fatores a ter em conta como tipo de documentos, estado de conservação, fim a que se destinam e as obrigações inerentes às leis que o regulamentam:- Regime Geral dos Arquivos (A comunicabilidade dos documentos está sujeita ao regime geral dos arquivos e do património arquivístico (Decreto-Lei nº 16/93, de 23 de janeiro);- Lei de Acesso aos Documentos Administrativos;- Regulamento do Arquivo Municipal;- CPA;- RGPD.A reprodução deverá ser solicitada por escrito, através de requerimento dirigido ao Arquivo Municipal. O seu deferimento encontra-se sujeito a restrições, atendendo ao estado de conservação e ao fim a que se destina.Serviço sujeito às taxas descritas no RMTOR. Disponível para consulta em: https://www.cm-aveiro.pt/cmaveiro/uploads/document/file/17099/regulamento_taxas_licencas2022.pdf

Idioma e escrita

por (português) e lat (latim)

Instrumentos de pesquisa

Archeevo (base de dados de descrição arquivística e objetos digitais);Guias de Fundos.

Relações com registos de autoridade

Relações com registos de autoridade
Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadeMosteiro de Jesus de Aveiro. 1461-1874, pessoa coletiva. MJ Produtor
Entidade detentoraMunicípio de Aveiro MAVR Entidade dententora