Mosteiro de Jesus de Aveiro

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Mosteiro de Jesus de Aveiro

Detalhes do registo

Informação não tratada arquivisticamente.

Nível de descrição

Fundo   Fundo

Código de referência

PT/MAVR/MJ

Entidade detentora

Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Entidade detentoraMunicípio de Aveiro MAVR Entidade dententora

Tipo de título

Formal

Título

Mosteiro de Jesus de Aveiro

Datas de produção

1461-05-16  a  1965-01-05 

Dimensão e suporte

17 liv., 17 doc.; P., Perg.

Extensões

17 Documentos
17 Livros

Entidade detentora

Município de Aveiro

Produtor

Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadeMosteiro de Jesus de Aveiro. MJ Produtor

História administrativa/biográfica/familiar

De origens que remontam à segunda metade do século XV, o Mosteiro de Jesus de Aveiro é dos mais antigos da cidade. A 24 de novembro de 1458, D. Beatriz Leitão (Brites Leitoa), jovem de condição nobre e senhora de Ouca (Vagos), instala-se numa casa que possuía junto ao convento dominicano de Nossa Senhora da Misericórdia (masculino), fazendo-se acompanhar de uma das filhas, após ter enviuvado de D. Diogo de Ataíde, numa atitude de desprendimento, quer social, quer material, tão ao jeito da época: vivia-se, então, um período de certa forma “conturbado” de renovação da vida religiosa que pugnava por um certo regresso à pureza original do Evangelho, procurando uma vida austera, desprovida de luxos, afastada dos círculos do poder ("fuga mundi"), renovação essa que colheu muitos partidários junto da nobreza, nomeadamente a cortesã; em estudo onde também aborda este movimento, João Gouveia Monteiro dá alguns exemplos bastante conhecidos (e aqui não ordenados cronologicamente): Nuno Álvares Pereira, Pedro Rodrigues de Moura, Estêvão Esteves, Diogo de Ataíde e Beatriz Leitão, Gonçalo da Silveira, João Vicente, Rainha Santa Isabel, princesa Santa Joana, D. Constança de Noronha, infante D. Fernando (Infante Santo), D. Jaime (duque de Bragança), entre outros.A reputação de humildade deste cenóbio ultrapassa, rapidamente, os seus muros, chegando inclusive à corte. A tal ponto que a senhora do castelo da Feira, D. Mécia Pereira, também jovem e viúva (de Martim Mendes de Berredo), requer a entrada no convento, pedido que D. Beatriz Leitão não consegue recusar: é com a entrada de D. Mécia Pereira, em 1460, que a fundação do mosteiro ganha um forte impulso, quer espiritual, quer economicamente. Adquiridas novas propriedades puderam ser alargados os projetos de construção.É então que frei João de Guimarães, prior do vizinho convento de Nossa Senhora da Misericórdia, alegando que assim se evitaria que estas mulheres tivessem que se deslocar ao convento (masculino) para participar nos atos litúrgicos e realizar as suas orações, defende que seria benéfico que ali se fundasse um mosteiro, feminino, de clausura. Menos de três anos passados sobre aquele primeiro ato fundador, a 16 de maio de 1461, o Papa Pio II emite a bula que autoriza a criação de um convento feminino da Ordem de São Domingos ou dos Pregadores (observante, i. é, reformado); logo no ano seguinte é o rei, D. Afonso V, que coloca a primeira pedra na construção da igreja do mosteiro que ganha o nome de Jesus. A vida de clausura tem início oficial a 1 de janeiro de 1465, logo após a morte de D. Mécia, considerada a primeira professa do convento, em outubro do ano anterior.Depois da morte de D. Beatriz Leitão, em 1480, D. Maria de Ataíde é eleita prioresa do mosteiro (1482-1525): para além de procurar estabilizar a situação económica do convento, D. Maria de Ataíde vai proceder à ampliação do edifício de modo a que este possa comportar o crescimento da comunidade; aspeto marcante do seu governo foi o da presença da filha do rei D. Afonso V, a princesa Joana, que aí chegou em 1472, tendo permanecido até à sua morte, em 1490. A ação desta prioresa extravasou os muros da casa, tendo participado na fundação de novas casas da Ordem: o de Santa Ana de Leiria, o da Anunciada de Lisboa e, ainda que indiretamente, o de Nossa Senhora da Saudação, em Montemor-o-Novo; esteve, ainda, implicada na reforma de outras já existentes, de que são exemplos o convento de São Domingos das Donas de Santarém e o do Paraíso de Évora. Mais tarde, a seguir ao priorado de D. Isabel de Castro (sucessora de D. Maria de Ataíde), que terminou em 1534, este cargo deixou de ser vitalício e passou a trienal ou quadrienal. No priorado de D. Francisca Doairos, eleita para dois mandatos sucessivos (1549-1558), realizam-se importantes campanhas de obras no edifício, com a construção do claustro superior a ganhar relevo.A comunidade vai crescendo, ao longo de todo este século XVI e seguintes, impondo a necessidade de novos espaços por forma a acolher todas as mulheres que aí viviam: das noviças às religiosas professas, passando pelas educandas, as criadas e as senhoras que lá se recolhiam. O edifício vai crescendo, mas as preocupações de equilíbrio económico determinaram, sempre, uma certa organicidade da construção, apenas escondida por detrás do cenário que é a atual fachada, barroca, em resultado das grandes campanhas de melhoramento, ampliação e enriquecimento que se realizam no decorrer dos séculos XVII e XVIII. As reformas impostas às instituições eclesiásticas pelo governo do Marquês de Pombal, que abarcavam todos os aspetos da vida conventual, são, já, fruto do ambiente anticlerical que se vai adensando na segunda metade do século XVIII, e primeira do XIX, e criam o quadro que começa a dificultar a vida comunitária. E é neste contexto profundamente anticlericalista que se assiste à extinção das ordens religiosas, por decreto de 30 de maio de 1834: a "Reforma geral eclesiástica", empreendida por Joaquim António de Aguiar (o “Mata-frades”) determina o fim imediato das casas masculinas, permitindo, no caso dos conventos femininos, a vida em clausura até ao dia da morte da última freira. Henriqueta Barbosa, a última freira do Convento de Jesus, morre a 2 de março 1874, extinguindo-se, assim, a vida de clausura (e, consequentemente, o Mosteiro), tendo o Estado realizado o arrolamento dos bens, que foram incorporados nos Próprios da Fazenda Nacional.

Âmbito e conteúdo

Documentação resultante da atividade do Mosteiro de Jesus de Aveiro dividida em 5 secções: Direção (contendo alvarás, autorizações, mercês e provisões régios.); Administração eclesiástica (contendo crónicas e memoriais, relações de religiosas e educandas, bulas, breves e cartas apostólicas, processos de beatificação e regras e constituições.); Administração Patrimonial e Financeira (contendo escrituras de compra e venda, escrituras de doação, inventários, testamentos e documentação diversa do cartório); Justiça (contendo ações, autos e sentenças); e Vida Religiosa (contendo livros de orações, ofícios de exéquias, hagiografias, iluminuras e gravuras).

Sistema de organização

Organização metódica, do geral para o particular e de forma hierarquizada. Utilizando uma classificação orgânico-funcional, resultante da estrutura da entidade orgânica (Mosteiro de Jesus de Aveiro), subdividida por secções desdobradas em séries.Ordenação cronológica das unidades de instalação e dos documentos dentro das respetivas séries.

Condições de acesso

Fatores a ter em conta como tipo de documentos, estado de conservação, fim a que se destinam e as obrigações inerentes às leis que o regulamentam:- Regime Geral dos Arquivos (A comunicabilidade dos documentos está sujeita ao regime geral dos arquivos e do património arquivístico (Decreto-Lei nº 16/93, de 23 de janeiro);- Lei de Acesso aos Documentos Administrativos;- Regulamento do Arquivo Municipal;- CPA;- RGPD.A reprodução deverá ser solicitada por escrito, através de requerimento dirigido ao responsável da instituição. O seu deferimento encontra-se sujeito a restrições, atendendo ao estado de conservação e ao fim a que se destina.

Condições de reprodução

Fatores a ter em conta como tipo de documentos, estado de conservação, fim a que se destinam e as obrigações inerentes às leis que o regulamentam:- Regime Geral dos Arquivos (A comunicabilidade dos documentos está sujeita ao regime geral dos arquivos e do património arquivístico (Decreto-Lei nº 16/93, de 23 de janeiro);- Lei de Acesso aos Documentos Administrativos;- Regulamento do Arquivo Municipal;- CPA;- RGPD.A reprodução deverá ser solicitada por escrito, através de requerimento dirigido ao Arquivo Municipal. O seu deferimento encontra-se sujeito a restrições, atendendo ao estado de conservação e ao fim a que se destina.Serviço sujeito às taxas descritas no RMTOR. Disponível para consulta em: https://www.cm-aveiro.pt/cmaveiro/uploads/document/file/17099/regulamento_taxas_licencas2022.pdf

Idioma e escrita

por (português) e lat (latim)

Instrumentos de pesquisa

Archeevo (base de dados de descrição arquivística e objetos digitais);Guias de Fundos.

Relações com registos de autoridade

Relações com registos de autoridade
Registo Código Tipo de relação Datas da relação
Registo de autoridadeMosteiro de Jesus de Aveiro. 1461-1874, pessoa coletiva. MJ Produtor
Entidade detentoraMunicípio de Aveiro MAVR Entidade dententora